A Chave dos Labirintos - Trilhos e Trilhas


O vice-reitor da Unipaz, Roberto Crema, disponibilizou o prefácio escrito por ele do livro os 7 Labirintos da autora Acely Hovelacque. O livro é um convite a resgatar a fantástica viagem que é existir. Acely Hovelacque é homeopata e autora de livros sobre autoconhecimento, medicação e co-autora do jogo terapêutico Tui, A Arte de Amar. Há dois tipos de seres humanos: os adormecidos em trilhos e os despertos nas trilhas. Seguir trilhos, fixos e acabados, nos tornam seres possuídos pelo passado e pelo futuro, vítimas frágeis das armadilhas que são postas nos automatismos de nossas rotinas, objetos das circunstâncias, vítimas do destino menor. Habitar trilhas, criativas e inusitadas, que são criadas pelos nossos próprios passos, é tarefa para os seres despertos, que não temem inventar suas próprias rotas, na aventura heroica do processo de individuação, onde, no exercício do passo a passo, nos tornamos Sujeitos, autores da própria existência.

O labirinto é um símbolo transcultural da aventura evolutiva. Desenhado na forma da espiral, que simboliza o infinito, é um convite aberto para o percorrer de seus meandros circulares, rumo a um jardim, secreto e central, onde haveremos de chegar, em algum momento justo e feliz. A chave é o Centro, uma solução vertical e essencial para a questão numinosa do existencial. Como diz o poeta Pessoa, a morte é a curva da estrada. Percorrer o labirinto é sempre uma arte de aprender a morrer, para renascer na paisagem seguinte. Na última curva, um Sorriso há de nos abraçar...

Somos a encarnação de uma estória que viemos contar. A encrenca grupal, sob medida, na qual aterrissamos ao nascer, tem uma grande força hipnótica. Para sobreviver segundo a bíblia familiar, são tantas as introjeções de estórias alheias, que acabamos por esquecer da nossa própria. A travessia do labirinto é uma via de auto-recordação e de desvelamento dos talentos que nos foram confiados, na justa proporção da realização plena de nossas promessas originais. Como afirmava Platão, na sua proposta de uma anamnese essencial, nós não aprendemos; apenas recordamos. Na medida em que nos lembramos de nós mesmos, de um juramento que viemos honrar, o Mistério conspira a nosso favor. Trata-se de ascender de uma existência traída e esquecida, para uma existência conquistada e ofertada.


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